17 de fevereiro de 2010

Imperfeição

Mais uma idéia de Rubem Alves que amei e compartilho. Trata de um assunto que trabalho muito com meus pacientes: sempre precisamos dar vazão e acolher o nosso lado "monstrengo". Por mais desagradável que isso seja, faz parte da nossa natureza termos lado sombrio. Quanto mais negamos esse lado, no intuito se sermos perfeitos, mais autonomia ele passa a ter sobre nos, aparecendo nos momentos menos oportunidos, com consequências catastróficas na maioria das vezes.
Conselho a Nelson Freire
(Ostra feliz não faz pérola - p. 26)
"Caro Nelson Freire: ao terminar de ouvir os dois concertos de Brahms interpretados por você, lembrei-me de um incidente que poderá lhe ser de grande valia. Bernard Shaw foi ouvir Jascha Heifetz. Chegando em casa, depois do concerto, escreveu-lhe uma carta imediatamente. O conteúdo era mais ou menos assim: "Prezado senhor Jascha Heifetz. Ouvi-o no concerto desta noite. Voltei para a casa profundamente preocupado. Porque tocando do jeito que o senhor toca é impossível que os Deus não se roam de ciúme - porque é certo que eles não conseguem tocar como o senhor. Eles sentirão inveja. E deuses invejosos são perigosos. Assim dou-lhe um conselho. De noite, antes de dormir, não faça suas orações costumeiras. Pegue seu violino e toque desafinado. Os deuses, ao ouví-lo, se sentirão aliviados na sua inveja e deixarão o senhor em paz. Atenciosamente, George Bernard Shaw". Nelson, faço meu o conselho de Shaw. Sozinho, de noite, em vez de rezar, toque mal, esbarre algumas notas, erre... Nenhum crítico o estará ouvindo. Mas os deuses estarão. E eles dormirão em paz e você dormirá em paz. Conselho de seu conterrâneo Rubem Alves." (Rubem Alves - Ostra feliz não faz pérola)
É mais saudável termos a consciência de que podemos e devemos desafinar, do corrermos o risco de nos expormos a ira dos deuses. Essa crônica ilustra metaforicamente nossa estrutura psiquica. Dentro de nós habitam deuses poderosos, que não aceitam pretenção de perfeição do ego. Eles são perfeitos, o ego não. Portanto, o ego deve reconhecer humildimente sua natureza humana e não desafiá-los, pois poderá não dar conta da punição. Fazemos isso ao reconhecer nosso lado monstrengo, quando sozinhos, no silêncio da noite assumimos que erramos, que não fomos totalmente honestos, entre tantos outros exemplos. Desta forma, tanto os deuses como o ego dormirão em paz, pois o ego estará integrando conscimente o lado "monstrengo".
Lilian Loureiro

10 de fevereiro de 2010

Voltei!!!

Caraca, quanto tempo que não escrevo...

Estava com saudades do meu blog, mas faltava inspiração. De setembro de 2009 pra cá muitas coisas maravilhosas aconteceram em minha vida e meu foco acabou sendo outro.

Como mencionei no meu primeiro post, fui fiel ao meu processo e não forcei. Mas hoje, lendo Rubem Alves a inspiração voltou. Compartilho um crônica dele, reflete maravillhosamente a emoção do retorno:

Inspiração
(Ostra feliz não faz pérola - p. 19)

"O livro do Eclesiastes adverte: "Um último aviso: escrever livros e mais livros não tem limite. E o muito estudo é enfado da carne..." Não obedeci. Escrevi muitos livros. É o jeito que tenho de brincar. Livros são brinquedos para o pensamento. De todos os que escrevi, acho que o que mais amo é A menina e o pássaro encantado. Escrevi para transformar uma dor em beleza. Eu ia me ausentar do Brasil por um período longo e a minha filha de quatro anos, a Raquel, estava inconsolável. As crianças têm uma sensibilidade especial. Sabem que toda ausência passageira é metáfora de uma ausência definitiva. Ela sofria e eu sofria com o sofrimento dela. Aí, de repente, veio a inspiração. Inspiração é quando a gente não sabe de onde a idéia vem. Na ciência é o contrário: é preciso explicar o caminho que se tomou para chegar à idéia. É esse caminho que tem o nome de método. Seguindo no mesmo caminho, qualquer outro cientista poderá chegar à mesma idéia. Na literatura é o contrário: o escritor não sabe de onde as idéias vêm. Portanto não se pode ensinar o caminho. Veja como Fernando Pessoa escreveu essa experiência: "Às vezes tenho idéias felizes, idéias subtamente felizes. Depois de escrever, leio... Por que escrevi isso? Onde fui buscar isso? De onde me veio isso? Isto é melhor do que eu...". A ciência é a caça de um pássaro definido de antemão que, depois de apanhado, será preso numa gaiola de palavras. Mas, a inspiração não é uma caça. A inspiração chega em momentos raros de distração. Picasso explicou o seu método: "Eu não procuro. Eu encontro...". Ou seja, a inspiração não tem método: o pássaro pousa no nosso ombro, sem que tivéssemos procurado e apenas nos espantamos de que ele seja assim tão bonito... Foi assim que me apareceu a a estória A menina e o pássaro encantado. Nela, uma menina não suportava a saudade, para impedir que seu pássaro voasse tratou de prendê-lo numa gaiola. Resultado: o pássaro encantado deixou de se encantado; perdeu as cores e esqueceu o canto. O pássaro só é encantado quando é livre. O sentido original da estória era claro: era uma estória para minha filha e para mim cujo objetivo era transformar dor em beleza. Mas aí aconteceu o inesperado: depois de publicado, os leitores passaram a ver sentidos novos que eu não havia visto: o livro começou a ser usado por terapeutas para lidar com casais em que cada um tentava engaiolar o outro. E estavam certos. Foi então que um amigo me disse: "Que linda estória você escreveu sobre Deus..." Ao que ele me disse: "Pois eu pensei que o pássaro encantado era Deus, que as religiões aprisionam em gaiolas...". Pode também ser... É impossível engaiolar o sentido. " (Rubem Alves - Ostra feliz não faz pérola)


Lilian Loureiro

24 de setembro de 2009

Wedding Coaching

Nossa, faz tempo que não escrevo..., mas, como mencionei no meu primeiro post, o processo criativo é assim mesmo e é importante respeitá-lo.

O assunto de hoje é bastante novo para mim e confesso que ainda está em fase gestacional, mas assim como na terapia temos um espaço para falar sobre nossas emoções e pensamentos para que sejam arejados e, quando nos escutarmos termos uma perspectiva diferente; vejo no blog um espaço análogo: no qual minhas idéias em incubação podem receber um pouco ar e mais concretude.

Bom, em minha apresentação menciono que sou especialista em questões amorosas, que escrevi em co-autoria um livro sobre o assunto enfim, chegou um momento de dividir um pouco desta minha experiência nesse espaço.

O tema em questão refere-se a "Wedding Coaching", termo que surgiu inocentemente numa conversa com amigos e, que particularmente gostei e resolvi adotar. O que ele quer dizer afinal?

Quem já casou e vivenciou os preparativos do casamento, seja com a festa (que pode ser da mais simples, a mais elaborada), com o montar a casa (entrega do imóvel, reformas, lidar com pedreiros, entrega de móveis...), entende como esse momento é tão delicioso e maravilhoso, assim como é detonador de muitas crises, discussões e desentendimentos também.

Foi pensando nisso que Wedding Coaching começou a ser gestado. Tendo vivenciado tudo isso e acompanhado pessoas próximas que estavam passando por esse processo, comecei a pensar e a começar desenvolver uma metodologia para assessorar casais nessa fase tão maravilhosa, ao mesmo tempo que tensa. E é justamente essa reflexão e metodologia, que venho desenvolvendo e aprimorando, que nomeei de "Wedding Coaching".

Sem ter a pretensão comecei a acompanhar, acolher e orientar pessoas próximas e queridas que estavam experienciando o processo do casar-se, deparando-se com problemas como: qual Buffet contratar, cor da decoração, quem vai ficar responsável por o quê, e todas as discussões que os acompanham... Daí então pensei: poxa, se tenho facilidade em acolher, orientar, problematizar escolhas (que nada mais é do característica da minha profissão), porquê fazer isso apenas com pessoas próximas? Por que não estender isso como uma área de atuação em meu trabalho? Como sempre repito, a visão da psicologia analítica é prospectiva: em tudo há um para quê, uma finalidade. Portanto, resolvi retomar as origens de minha formação e acolher esse chamado: trabalhar com esse tipo de orientação.

Tenho percebido que a maneira como o casal administra as crises e conflitos característicos da fase dos preparativos, pode ser um fator importante sobre a vida do casal de forma geral. Se o casal consegue administrá-las de forma consciente e adulta, reconhecendo e legitimando a alteridade, a fase seguinte, "recém-casados", que também tem suas crises e conflitos característicos, pode ser encarada de forma mais leve, uma vez que recursos de como enfrentá-los, já terão sido internalizados. Assim como as que virão a seguir.


Como é uma proposta nova, pelo menos para mim (apesar de que fiz uma busca no Google com esse termo e não encontrei nada aqui no Brasil, tão direto e específico assim) fiquei relutante em assumí-la, mas acho que o momento chegou e por isso optei por postar em meu blog, para que assim este projeto possa nascer e ganhar vida própria, sendo um recurso que pode ser visitado e conhecido por um público maior e não tão restrito. Enfim, acho que o Wedding Coaching está entrando em trabalho de parto, prestes a nascer e esse post, representa a primeira contração...



Lilian Loureiro

5 de agosto de 2009

Os desafios da comunicação...


Hoje, meu almoço foi um tanto quanto filosófico, eu diria... No finalzinho dele ocorreu um acontecimento que me fez refletir acerca da importância da comunicação nos relacionamentos interpessoais.

“Comunicação” pode ser entendida como a relação entre o interlocutor, que emiti uma mensagem e o receptor, que a recebe. A relação pode parecer simples, mas está longe de ser. Receber a informação corretamente, não é tarefa simples, eu diria que é extremamente complexa. O primeiro complicador disso, a meu ver, é a língua. Por mais parecido que seja para um leigo, um chinês não vai entender um japonês se não souber japonês e vice-versa.

Quem nunca cometeu uma gafe com os famosos “false friend”, tanto no inglês quanto no espanhol, ao adotar uma palavra semelhante do português, achando que está abafando... Ou mesmo com o português de Portugal. O pedido de simples pãozinho de um português para um brasileiro, pode gerar muita confusão...

Isso porque, infelizmente, em grande parte das vezes não ouvimos o que o outro tem a nos dizer de fato. No caso da língua, precisamos aprender a língua falada pelo interlocutor, para poder compreender fidedignamente. É como se diante de uma mensagem desconhecida, nosso receptor editasse a informação a partir do referencial que temos, de forma que nossa compreensão fica distorcida: não ouvimos o que a pessoa de fato fala, mas o que podemos ouvir naquele momento. No caso do pão, o pedido por ser ouvido como uma tremenda ofensa.

Esse mesmo descompasso entre diferentes línguas faladas acontece com pessoas que falam a mesma língua. Pois é, quem nunca vivenciou uma situação constrangedora na qual não ouviu de fato o que outro falou, mas uma coisa complemente diferente? Aquela brincadeira de criança, o “telefone sem fio” ilustra bem o que estou tentando falar: a história começa com avião e termina com navio. A mensagem, ao passar de ouvido em ouvido vai sendo distorcida e cada uma vai compreendendo do jeito que pode e dificilmente chega no último, como de fato começou.

Acho que minha reflexão está filosófica de mais, deixe-me ilustrar com meu almoço para ficar mais fácil de entender. Fui almoçar em um restaurante japonês com uma amiga. Quando estava terminando a sobremesa o garçom veio perguntar se queríamos um café ou um banchá. Naquele instante achei que estava ouvindo uma coisa absurda: “estou terminando minha sobremesa e o cara vem oferecer aquela sopinha...” No momento em que ouvi, meu digníssimo cérebro processou “banchá”, que é o famoso chá verde, digestivo, ótimo após a refeição, com o missoshiro, que daí sim é a sopinha. Assim que o garçom ofereceu, a imagem que se formou em minha mente foi do potinho de sopa. Na hora, cai na tentação de julgar o garçom como um louco sem noção, que alias estava fazendo seu trabalho muito bem feito, simplesmente porque tinha ouvido errado o que ele havia oferecido. A única louca sem noção nessa história: eu. Logo caí em mim, graças a deus alias, pois se tivesse falado o que havia pensado, seria uma gafe daquelas... rs

Tirando o mico da experiência, acho que ilustra muito bem o que tentei explicar com “confusões” geradas pela forma como nos comunicamos. É um exemplo bobo, mas nos remete a pensar em tantas outras ocasiões, nas quais não conseguimos ouvir o que de fato o outro tem a nos dizer.

Nas relações de trabalho isso é extremamente comum. Já perdi as contas do número de vezes que ouvi pacientes se queixando do chefe porque fez a tarefa, mas não ficou do jeito que ele queria. Exemplo: o chefe pede que se “faça um relatório”; a pessoa ouve e a imagem que se processa em sua mente é de um lindo gráfico, condensando todas aquelas informações de forma colorida, o que a pessoa faz. Daí, ela vai feliz e contente apresentar o resultado de seu trabalho ao chefe, que dá um esporro danado por que não foi aquilo que pediu... O que acaba por gerar desconfortos, incompreensão e mal entendidos.

Por isso a importância de alinhar as expectativas: o que o funcionário entende por relatório, pode ser completamente diferente da compreensão do chefe. Portanto, para beneficio de ambos, vale a pena checar. Falar a mesma “língua” é bastante indicado nesse caso.

Nunca canso de dizer: sempre que ouvir algo, cheque se compreendeu corretamente, não a partir do próprio referencial, mas sim do referencial do interlocutor: “me vê um pãozinho no português de Portugal”, ouvido corretamente, só quer dizer “me vê um pãozinho” ... Alinhe a informação que recebeu com quem a falou. Exercício como esse pode ser surpreendente. É melhor pecar pela checagem do que correr o risco de entender completamente errado e precisar passar por um mico tremendo, ou ter que fazer a mesma coisa mais de uma vez. Enfim, exemplos, são inúmeros...


Lilian Loureiro

3 de agosto de 2009

Afinal o que é Método Birkman?

No post anterior falei como minha relação com o Método Birkman ocorreu, mas fica a pergunta: o que é afinal o Método Birkman?

Acho que a melhor maneira de defini-lo é falando um pouco sobre seu criador. Foi Roger Birkman, Ph. D em psicologia, ex-piloto de bombardeiro na II Guerra Mundial quem o desenvolveu. Enquanto lutava pelas forças armadas norte America observava episódios recorrentes que o intrigava: o testemunho de momentos em que seus companheiros, diante de uma forte tensão, desperdiçavam munições valiosas nos alvos que percebiam que estavam lá, quando não estavam.

Vivenciando isso, Roger identificou sua fonte de interesse no comportamento humano: a percepção. Desde então, tem tentado identificar, analisar e aprender como eliminar muitos outros tipos de problemas de percepção, afinal disperdiçar munições em alvos que não existem, significa poder não dispor no momento necessário.

O método Birkman foi criado na década de 40, pós II Guerra Mundial e vem sendo aperfeiçoado e aprimorado desde então. A primeira versão do instrumento chamava-se “Teste da compreensão social”, que foi aperfeiçoada em 1951 na tese de doutorado de Birkman. Hoje o instrumento está muito mais refinado e apurado. Foi desenvolvido todo um sistema de informática capaz de gerar o relatório, após o questionário ser respondido em minutos. Testes-retestes, fidedignidade, validação são constantemente realizados, através do banco de dados de mais de 50 anos. A título de curiosidade: o método já passou por sete revisões.

Desde os primórdios, Birkman estava convencido de que poderia criar um instrumento muito necessário, capaz de medir: Expectativas sociais, Auto-conceitos, Interesses, Comportamentos Sob Tensão, Comportamento usual, tudo isso através de uma única ferramenta de avaliação. E foi o que de fato conseguiu. O Birkman Method® avalia comportamentos no ambiente de trabalho a partir da análise de:
– Necessidades subjacentes
– Motivações
– Comportamentos sob tensão
– Orientação organizacional

Desta forma, o Método Birkman constitui-se como um instrumento de grande valor, tanto para organizações como indivíduos. A experiência do instrumento com empresas mostra que um problema entendido por uma pessoa, pode não ser um problema entendido por todos, como o exemplo que ilustrei no post anterior.

Possibilita aumentar os níveis de desempenho do indivíduo e da equipe e reduzir comportamentos de stress. As possibilidades de aplicação são inúmeras:
• Desenvolvimento da liderança.
• Seleção de profissionais.
• Coaching individual e de equipes.
• Orientação e transição de carreira.
• Formação e integração de equipes de trabalho.
• Gestão de talentos e da diversidade de estilos profissionais.
• Gerenciamento de conflitos e de estresse.
• Oferece informações valiosas para o desenvolvimento de competências e o aumento de desempenho.
• Facilita a tomada de decisão em seleção e contratação de profissionais.
• Apresenta indicadores fundamentais para planejar estratégias de retenção de talentos.
• Fornece subsídios para o planejamento e o desenvolvimento de carreiras.
• Integra diversas informações sobre aspectos relacionais e ocupacionais de forma inteligente em uma mesma ferramenta.
• Potencializa o sucesso do alinhamento organizacional.

O que Roger Birkman com tantos anos de pesquisa pode observar é que pessoas são elas mesmas quando estão relaxadas, mas comportam-se diferentemente quando experienciam tensão. É possível observar as ações de uma pessoa e determinar se ela está ou não constantemente estressada. Quando você identifica uma dada condição, você saberá como responder à pessoa de uma maneira que irá ajudá-la mais. Portanto, este instrumento ajudar a compreender porque as pessoas agem do jeito que agem. Essa simples habilidade facilitará insights não somente em relações interpessoais e interações no trabalho, melhor que isso, ajudará a compreender porque uma pessoa faz as coisas do jeito que faz, uma vez que seu propósito principal é avaliar a percepção para assim poder alterá-la. Por isso é um excelente recurso para auxiliar a pessoa a avaliar quão freqüentemente ocorram situações em que nossa percepção fica distorcida. Quando você percebe as coisas corretamente e faz uma suposição válida baseada em sua percepção correta, você pode ser otimista e cheio de esperança.

Enfim, espero ter contribuído para a apresentação deste instrumento tão especial.

Lilian Loureiro

21 de julho de 2009

Minha Trajetória com o Método Birkman


Em perfil, menciono que alem de psicóloga clínica, sou consultora em desenvolvimento humano e organizacional, responsável pela qualificação do método Birkman, pela Fellipelli. Como é instrumento ainda pouco conhecido, achei que seria interessante falar um pouco a seu respeito e como minha historia com ele aconteceu.

O Método Birkman é um valioso instrumento de autoconhecimento, muito utilizado em vários países para diferentes finalidades, principalmente na área empresarial. Minha relação com esse instrumento começou de maneira bastante inusitada: não fui eu quem fui atrás dele; foi esse instrumento que chegou a mim...

Em função do meu prazer em estudar, um amigo me convidou para mergulhar em um instrumento, adquirido pela empresa onde ele trabalhava na época, mas não desenvolvido ainda. Gostei do desafio e aceitei. Até então não havia tido contato algum com a área organizacional e empresarial. Confesso inclusive que era bastante receosa e preconceituosa a esse respeito. Contudo, estudando e me aprofundando nesse instrumento, minha opinião foi sendo reformulada. O potencial de atuação e transformação que este instrumento contém definitivamente me cativou.

Encontrei muitas dificuldades ao longo desse processo, até aquele momento (janeiro/2008) minha experiência era exclusivamente clínica. Nunca havia trabalhado em empresa, portanto era difícil entender, ou mesmo, aceitar os ditames coorporativos. Dentre as dificuldades encontradas, meu histórico com o meio cientifico e acadêmico atravancou o processo: enquanto não levantei material a respeito da história do instrumento, quem o desenvolveu, em que contexto, em que momento histórico, o estudo do instrumento não conseguia deslanchar... Minha percepção (posso estar redondamente enganada...) é que infelizmente no universo empresarial a profundidade do conhecimento não é muito almejada. O que é valorizado é a compreensão rápida e eficiente, o que provocou muita dificuldade em meu processo de estudo, de forma que minha preocupação não foi vista como um problema de fato. Foi trabalhoso, mas após muita busca na internet e levantamento de todo material disponível que a empresa dispunha finalmente consegui buscar tais informações. A partir daí, minha paixão pelo instrumento nasceu! Aos poucos fui constatando toda sua credibilidade cientifica com estudos recorrentes de validação e toda a seriedade com que os dados produzidos pelo questionário são trabalhados.

Somando-se a isso, minha experiência como sujeito do Método Birkman só reforçou o valor deste instrumento para mim. Através dele ficou clara minha dinâmica de funcionamento relacional e organizacional e assim, ficou mais fácil de entender meu bloqueio inicial de só conseguir me apropriar do instrumento, após levantar seu histórico cientifico. O método Birkman avalia várias dimensões do comportamento, dentre elas, as áreas de interesses do indivíduo. Uma das áreas mais expressivas no meu relatório é justamente a área científica, que tem como característica marcante o interesse pela compreensão de como as coisas funcionam, de onde vieram. Desta forma, pude perceber na pele o valor do Método Birkman para meu desenvolvimento pessoal e profissional. Pude perceber que minha busca não era mera implicância, como poderia soar, mas uma necessidade genuína minha para a apropriação de um novo conhecimento. Meus colegas de trabalho também puderam constatar isso, de forma que a relação de trabalho pode fluir com naturalidade e leveza e principalmente, com respeito pela diferença, que nesse caso teve muito a acrescentar.

Portanto, para mim, o Método Birkman não se restringe apenas ao universo organizacional, ele pode ser utilizado como um grande aliado no processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

Sou muito grata à Adriana Fellipelli por ter confiado na indicação do meu amigo e ter apostado e investido em meu potencial cientifico e clínico e, mesmo sem ter qualquer experiência na área coorporativa, confiou e acreditou em minha contribuição para a implementação da qualificação do instrumento, que hoje faz parte de minha vida pessoal e profissional.
Lilian Loureiro