24 de julho de 2012

Eros e Narciso: A ebulição das forças anímicas



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v. 30 n. 69 Abr./Jun. 2012


DOI: 10.7213/psicol.argum.5968
Eros e Narciso: A ebulição das forças anímicas Eros and Narciso: Ebulition of the animic forces
Fernanda Menin 1
Lilian Loureiro 2
Milena Neri Guarnieri 3
Noely Montes Moraes 4
Resumo

Do ponto de vista psicodinâmico, o narcisismo expressa uma inflação egoica – situação que impede a consciência de reconhecer a alteridade. Algumas relações e situações sociais espelham essa condição, constituindo-se de projeções mútuas em que a preservação da imagem(persona) exige a exclusão de aspectos incompatíveis, depositando-os no Outro.Esta dinâmica impede a aproximação de Eros, pois não há o reconhecimento do Outro, a não ser como espelho. Não há quem discorde que nossa época apresenta alterações profundas no modo de se vivenciar as experiências humanas fundamentais. Valores, costumes, relacionamentos,tudo que vivemos parece irreconhecível para alguém do começo do século XX. Neste trabalho, pretendemos apontar a função da dinâmica narcísica como etapa necessária ao processo de individuação, pois tem por finalidade permitir o reconhecimento e posterior integração de aspectos negligenciados pela persona. Utilizando o mito de Narciso, a partir da amplificação simbólica, refletimos a respeito das possibilidades criativas trazidas pelo sacrifício/transformação/morte de Narciso: o abandono do contato superficial com a imagem refletida conduz à vivência da identidade profunda representada pelo enraizamento no Self (a transformaçãoem flor), abrindo espaço para a aproximação de Eros. Buscamos traçar paralelos desse caminho transformador/criativo com a condição contemporânea, arriscando vislumbrar saídas para o indivíduo e para o coletivo.

Palavras-chave : Narcisismo. Individuação. Contemporaneidade. Alteridade. Relação amorosa.
Abstract

From the psychodynamic perspective, narcissism expresses an egoic inflation – a situation thatprevents conscience to recognize the otherness. Some relationships and social situations reflectthis condition, consisting of mutual projections where the preservation of the image (persona)requires the exclusion of incompatible features, depositing them in the Other. This dynamicsprevents the approach of Eros, because there is no recognition of the Other, unless as a mirror.There’s no one who disagrees that our time has shown profound changes in the way of livingthe fundamental human experiences. Values, ways of doing, relationships, everything that welive now is hard to be recognized by anyone from the early twentieth century. In this work, weintend to show the role of narcissistic dynamics as a necessary step in the individuation process, as it is intended to enable the recognition and further integration of neglected aspects by one’spersona. Using the myth of Narcissus, from a symbolic amplification, we reflected on the creativepossibilities brought by the sacrifice/transformation/death of Narcissus: the abandonment of superficialcontact with the mirror image leads to the experience of profound identity representedby the deepening of roots in the Self (the transformation into a flower), making room for Eros’approach. We seek to draw parallels between this transformer/creative process with the contemporarycondition, trying to find a scape way for the individual and for the collective.

Keywords : Narcissism. Individuation. Contemporary. Otherness. Love relationship

1 Psicóloga clínica, psicoterapeuta e pesquisadora do grupo SEJA,São Paulo, SP- Brasil,e-mail: femenin@ig.com.b
2 Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP),psicoterapeuta, pesquisadora do grupo SEJA, São Paulo, SP- Brasil, e-mail: lilianloureiro@uol.com.br
3 Psicóloga clínica, pós-graduanda pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(COGEAE/PUC-SP), pesquisadora do grupo SEJA, São Paulo, SP- Brasil, e-mail: milguarnieri@hotmail.com
4 Professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP),vice-diretora da Clínica Psicológica Anna Maria Poppovi,psicoterapeuta e coordenadora do grupo SEJA, São Paulo, SP- Brasil, e-mail:noelymontes@yahoo.com.br

Recebido em 06/10/2009; Aceito em 10/06/2009.
Received in ; Accepted in .
[pdf]
OAI-ID: oai:pa.pucpr.br:article/5968
link: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/PA?dd1=5968&dd99=view

20 de julho de 2012

Olho do furacão

Fico chocada com o potencial de mudança/transformação que nossas vidas tem. Em um momento temos a rédia e direcionamos nossa vida mediante o nosso desejo. No mintuto seguinte a roda gira e ficamos quase inertes, à merce das intempéries. Porque isso?

Tenho o "privilégio" de ser junguiana, abordagem teórica que me escolheu e me acolheu e que com sua visão prospectiva e simbólica me ajuda a entender fenômenos e acontecimentos em termos de algo maior. Em tudo há uma finalidade, um para quê, um caminho sendo apontando. A questão inicial, desta forma, deve ser reformulada: retiramos o porque e substituimos por para quê tantas intempéries?

No olho do furacão não conseguimos vislumbrar respostas. Tudo gira tanto que saimos do eixo, ficamos sem prumo. Se perceber fica difícil, quanto mais aquilo que está ao nosso redor. É muito difícil, mas se conseguirmos manter a calma, ter paciência e sabedoria para perceber que esse chacoalhão tem uma finalidade maior, parece que somos acolhidos. Mesmo girando feito loucos, vendo casa, carros, vacas, voando longe, tal qual a famosa imagem do filme "O mágico de Oz", é como se estivéssemos num colo acolhedor que diz, "calma, vai passar. Isso tudo está acontecendo, pois essas coisas precisam mudar de lugar. Onde estavam, não serve mais. Só lhe resta esperar a poeira abaixar para vislumbrar a nova paisagem que se instalará. Paisagem esta, que não necessariamente será de destruição, pelo contrário, será paisagem de novas perspectivas... Com um layout novo, diferente. Aquilo que não tinha espaço, ou não era percebido, pode aparecer. Padrão velho morrendo para que o novo possa nascer..."

11 de julho de 2012

Orientação Profissional: Desvendando nossos próprios obstáculos

OBJETIVO: Ajudar no processo de autoconhecimento, seja ele no sentido de identificar e fortificar nossas potencialidades, seja no sentindo tão ou mais nobre quanto, que é desvendar nossos obstáculos internos. Aqueles aspectos ocultos e desconhecidos que atuam sobre nós minando nosso crescimento pessoal e profissional. DESCRIÇÃO: 5 encontros que irão variar de 1 a 2 horas de duração, dependendo da finalidade e que poderão ser estendidos, se houver necessidade, mediante contratação de sessões adicionais. Aplicação de dois instrumentos, um psicológico (QUATI _ Questionário de Avaliação Tipológica) e outro comportamental (Método Birkman). 1º encontro (2hs): entrevista e aplicação do QUATI Intervalo entre 1º e 2º encontro: envio do link do questionário Birkman 2º encontro (1h): Devolutiva QUATI 3º encontro: (2hs): Devolutiva Birkman 4º encontro (1h30): organização dos insights provocados pelas devolutivas dos instrumentos; exercício de heteropercepção. 5º encontro (1h30): Fechamento e avaliação. MAIORES INFORMAÇÕES: lilianloureiro@uol.com.br

Quem é vivo, sempre aparece...

Como diz o ditado, quem é vivo sempre aparece... e após uma longa ausência, VOLTEI! Tudo tem seu tempo, por isso é muito importante respeitarmos o nosso. Foi o que fiz. Meu blog jamias foi esquecido, mas não tinha como alimentá-lo como gostaria. Entre alimentá-lo com qualquer coisa e nada, optei pela hibernação. O incrível é que está acordando em pleno inverno. Um inverno frutífero, com muitas sementes sendo plantadas. Afinal, só assim é que teremos a possibilidade de colher lindas flores na primaveira... E esse é e será meu inverno: tempo de semear!

3 de novembro de 2011

Instrumentos de autoconhecimento e a comunicação

Há algum tempo, compartilhei uma experiência um tanto quanto constrangedora com o intuito de explorar uma área tão complexa que é a da comunicação. Em um mais antigo explorei o universo do conflito, que tem na comunicação uma base importante. E, de uma forma geral tenho enfatizado a importancia do autoconhecimento como a principal ferramente para lidar com tais questões.

Essa semana gostaria de explorar mais o universo do autoconhecimento e os recursos disponíveis para essa processo. Vale mencionar e ressaltar que se autoconhecer significa uma busca constante e incessante. Não porque descobrimos uma novidade a nosso respeito que a tarefa está cumprida com louvar. Diria que uma etapa está cumprida com louvor. Quanto mais descobertas fazemos, mas percebemos o quanto não sabemos. É como a poesia, quanto mais sei, menos sei.

O processo psicoterapêutico é um espaço privilegiado e poderosíssimo para isso, mas não o único. Quando nos relacionamos com as pessoas de forma geral, conjuges, companheiro, amigos, familiares, colegas de trabalho, entre outros, temos excelentes oportunidade para nos conhecermos e desenvolvermos. No entanto, sozinhos as vezes fica difícil, pois na maior parte das vezes teimamos em ver apenas o nosso lado.

Através do uso de instrumentos de avaliação psicológica outra forma de se conhecer se apresenta. São inúmeros os instrumentos disponíveis no mercado. Alguns são de uso exclusivo de psicólogos, outros não. Eu particularmente trabalho com dois QUATI (de uso exclusivo para psicólogos) e com o Método Birkman (exige qualificação específica para atuar com ele). Os instrumentos, de forma geral funcionam da seguinte forma: você é submetido à uma bateria de questionário e a partir de suas respostas, um relatório é desenvolvido. Com esse relatório é feita a devolutiva, ocasião em que é apresentado o que instrumento avaliou. Nesso momento ocorre a validação, em que a pessoa submetida validar as informações geradas. Muitas vezes ocorre muito surpresa: é evidenciado um lado que a pessoa desconhecia. Isso pode gerar uma certa resistência em aceitar o que instrumento avaliou, mas no geral aceitam bem.

Portanto, independente do recurso adotado, conhecer-se implica em desconforto, porque precisamos sair da zona de conforto, deixar de lado a visão restrita e se abrir para o novo a nosso respeito. Novo esse representado por pontos de vistas de otutras, psicoterapia ou instrumentos de avaliação.









29 de junho de 2011

De quem você é refem

Acabei de ler esse breve artigo e achei bastante interessante. Por isso, resolvi compartilhar.

Por Rosana Braga

Há alguns dias, tendo de tomar uma importante decisão no meu universo profissional, comecei a me sentir incomodada com algo, mas sem saber o que, exatamente. Sentia-me sem vontade de trabalhar, me dispersando por qualquer motivo, improdutiva. Resolvi me observar; queria descobrir o que estava me deixando irritadiça, como se estivesse contestando alguém ou alguma coisa.
Numa tarde, conversando com minha agente e amiga muito querida, a Claudinha, descobri! Enquanto contava sobre como vinha me sentindo nos últimos dias, inclusive porque ela mesma dizia perceber que eu não estava dando o retorno de sempre, ‘a ficha caiu’: estava me sentindo refém!
Mergulhei neste sentimento... Refém de quê? De quem? A troco de quê? Quanto deveria ser pago pelo meu resgate, a fim de que eu me sentisse livre? Quem pagaria?
Segundo o Aurélio, ‘refém’ significa: “Pessoa importante que o inimigo mantém em seu poder para garantir uma promessa, um tratado, etc.”. Achei esta definição perfeita, formidável. Era exatamente isso que estava acontecendo. E fiquei pensando que a maioria de nós se torna refém de algum inimigo durante boa parte de nossa vida.
“Mas que inimigo? Não tenho inimigos!”, você poderia argumentar. E eu afirmo, com certeza, que se não estivermos atentos, teremos um inimigo em potencial muito mais perto do que imaginamos: uma parte de nós mesmos, seja em forma de pensamentos negativos, de crenças limitantes, de promessas ultrapassadas, de tratados que já não fazem sentido, ou simplesmente de desejos que não valem o preço do resgate.
Traduzindo melhor, esses inimigos podem ser escolhas que garantem aquisição de bens materiais – uma casa ou um carro, por exemplo; podem ser comportamentos para obtenção de fama ou reconhecimento de alguém ou a crença de que agindo de determinada forma seremos amados; a aceitação inconsciente da ilusão de que somos o que vestimos, o lugar onde freqüentamos, e assim por diante.
Claro... tudo isso tem sua importância, sem dúvida! Mas desde que você seja sempre o mentor de cada uma dessas crenças e afirmações. Desde que você seja comandante de suas ações, dirigente de seus passos e tutor de suas escolhas – cada uma delas – durante todos os dias de sua vida, lembrando que a sua verdade de hoje pode simplesmente se tornar uma mentira amanhã... e que isso, na maioria das vezes, se observarmos com os olhos do coração, não é de todo ruim.
Por fim, é bom começar a considerar que a partir do momento em que você age sem respeitar seus verdadeiros sentimentos, sem levar em conta sua missão, seus dons e seus valores, torna-se refém de si mesmo, torna-se seu próprio inimigo.
Abdica deliberadamente do seu direito de questionar o caminho que tem seguido e, se for o caso, mudar de idéia, de perceber que nada é garantia nesta vida, além da chance encantada de viver...
Deste modo, quando algo nos incomodar, que tal nos interrogarmos: quem disse que só existe esta saída? Quem disse que eu só poderei me sentir feliz deste jeito, neste lugar, com esta pessoa ou neste trabalho? Quem disse que eu tenho de ter isso ou aquilo? O que eu realmente quero? O que tenho feito para seguir a minha verdade, ainda que ela seja diferente da verdade de ontem? E, por fim, o que tenho feito para apostar diariamente naquilo em que eu genuinamente acredito?!?
Assim, estou certa de que valerá a pena pagar o preço do seu resgate. Sim, porque é você, sempre você, quem terá de pagá-lo. Afinal de contas, você é uma pessoa importante e não pode permitir que o inimigo – ainda que seja você mesmo – o mantenha em seu poder para garantir uma promessa, um tratado, etc. Se uma promessa se torna um cativeiro, é hora de pagar o preço por sua liberdade e retomar o caminho da felicidade, o seu caminho!