20 de julho de 2012

Olho do furacão

Fico chocada com o potencial de mudança/transformação que nossas vidas tem. Em um momento temos a rédia e direcionamos nossa vida mediante o nosso desejo. No mintuto seguinte a roda gira e ficamos quase inertes, à merce das intempéries. Porque isso?

Tenho o "privilégio" de ser junguiana, abordagem teórica que me escolheu e me acolheu e que com sua visão prospectiva e simbólica me ajuda a entender fenômenos e acontecimentos em termos de algo maior. Em tudo há uma finalidade, um para quê, um caminho sendo apontando. A questão inicial, desta forma, deve ser reformulada: retiramos o porque e substituimos por para quê tantas intempéries?

No olho do furacão não conseguimos vislumbrar respostas. Tudo gira tanto que saimos do eixo, ficamos sem prumo. Se perceber fica difícil, quanto mais aquilo que está ao nosso redor. É muito difícil, mas se conseguirmos manter a calma, ter paciência e sabedoria para perceber que esse chacoalhão tem uma finalidade maior, parece que somos acolhidos. Mesmo girando feito loucos, vendo casa, carros, vacas, voando longe, tal qual a famosa imagem do filme "O mágico de Oz", é como se estivéssemos num colo acolhedor que diz, "calma, vai passar. Isso tudo está acontecendo, pois essas coisas precisam mudar de lugar. Onde estavam, não serve mais. Só lhe resta esperar a poeira abaixar para vislumbrar a nova paisagem que se instalará. Paisagem esta, que não necessariamente será de destruição, pelo contrário, será paisagem de novas perspectivas... Com um layout novo, diferente. Aquilo que não tinha espaço, ou não era percebido, pode aparecer. Padrão velho morrendo para que o novo possa nascer..."