21 de maio de 2009

Resiliência - A arte de superar os percalços e sair fortalecido por eles

Mais uma vez, foi convidada a participar do Programa Análise Direta. O tema da vez foi Resiliência. O convite foi resultado de uma sugestão que dei quando da entrevista sobre o Bullying. Na ocasião, uma telespectadora contou que havia sido vítima de bullying e de ter sofrido muito por conta disso. Teve depressão severa e chegou a ser internada. O que achei mais legal de seu relato, é que sua contribuição para o programa foi para contar que hoje, em detrimento dessa terrível experiência, tem em uma vida nova, está casada e feliz. O bullying não estragou sua vida a ponto de tolhir sua felicidade. Marcas, com certeza deixou.

Resiliência é exatamente isso, não apenas superar uma adversidade, mas sair fortalecido, transformado dela. Resiliência vem do latim resilio e significa voltar ao estado normal. É um termo usado na física e na biologia e que descreve a habilidade de um material, após ter sofrido uma forte pressão, voltar a seu estado normal. Todo material possue seu limite de quanta tensão suporta até começar a se deteriorar. Gosto do exemplo da mola, que após sofrer o máximo de pressão que pode suportar sem deteriorar, não só volta a seu estado normal, mas com energia extra: ela pula!

O termo resiliência foi adotado pelas ciências humanas para descrever a capacidade humana de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades que a vida apresenta. É um estudo recente, começou a ser estudado em torno de 30 anos atrás, em campos de concentração. Na época se questionava: porque algumas pessoas suportavam mais do que outras a mesma terrível situação?

Descreve as forças psicológicas e biológicas exigidas para atravessar com sucesso as mudanças de nossas vidas. A pessoa resiliente é aquela que utiliza força, flexibilidade, inteligência e otimismo para enfrentar e superar circunstâncias desfavoráveis, como a telespectadora que falei no início.

A principal característica de uma pessoa resiliente é sua habilidade de fazer com que a pressão que sofre, trabalhe a seu favor, como a mola que ganha energia extra. Pessoas que usam todas suas habilidades, sejam as já conhececidas, ou as que descobrem na hora, para lidar com os pontos críticos da vida, momentos potencialmente perigosos. Dentre as características, as mais relevantes são:- criatividade; - capacidade de suportar dor; - percepção de si mesmo e do que está sendo vivenciado em determinada fase da vida; - independência de espírito; - auto-respeito; - habilidade de recuperar a auto-estima quando esta diminuiu ou foi temporariamente perdida; - capacidade de aprender; - habilidade de fazer e manter amizades; - liberdade na dependência dos outros, com limites da profundidade da nossa dependência; - uma perspectiva de vida que oferece uma filosofia vital, evolutiva, através da qual podemos interpretar todas as nossas experiências e extrair alguma medida de significado pessoal.

O que procurei deixar claro na entrevista, é que um dos fatores que dificultam a resiliencia é a polarização. Por exemplo, uma auto-estima baixa tem o mesmo efeito que vaidade alta demais, pois ambas as situações não permite a flexibilidade. E, a chave da personalidade resiliente é a flexibilidade: ser capaz de utilizar suas forças, ser lógico, organizado quando necessário e, ser capaz de funcionar de forma insensatamente ilógica e até abandonar projetos em andamentos, para assim descobrir possibilidades inesperadas quando assim for preciso.

Alem disso, procurei frisar que resiliência é diferente de sobrevivência, diferente de invulnerabilidade e diferente de enfrentamento. Afinal, resiliência não é apenas uma simples resposta à adversidade, mas sim a capacidade humana universal de superar as adversidades da vida e de ser fortalecido por elas. É parte de um processo evolutivo e pode ser promovida desde o nascimento. Portanto, deve ser entendida como um processo. Todos nos nascemos com esse potencial que poderá ser mais ou menos desenvolvido, dependendo de quanta atenção e interesse colocarmos nele. Se, diante de um problema uma pessoa tem a crença de que só lhe resta lamentar a infeliz fatalidade, uma excelente oportunidade de desenvolver esse potencial está sendo desperdiçada...

Existem fatores de resiliência, comportamentos resilientes e resultados resilientes. Pessoas com maior resiliencia têm motivação para buscar ajuda. Sabem que tem problemas e buscam alguém para ajudá-las. É claro que podemos cultivar e exercitar a resiliência. Mas, nenhum de nós é perfeito no sentido de termos todas as características descritas acima, bem desenvolvidas. Somos sempre mais ou menos um pouco de cada coisa.

É justamente nos períodos de forte estresse que temos a oportunidade única de desenvolver ou reforçar as qualidades de resiliência, que não são particularmente nosso ponto forte. Crônica “A pipoca” de Rubem Alves ilustra muito bem isso.

É importante ressaltar que resiliencia não será sempre a mesma, presente e interminável. Nosso nível de resistência poderá oscilar ao longo do tempo. Nenhum componente da resiliencia é parte estável da personalidade. Algumas vezes, por exemplo, somos mais corajosos do que outras vezes. O importante é você avaliar periodicamente suas forças e limitações. Por escolha, sempre que possível desenvolva suas habilidades que lhe pareçam mais fracas, de forma que possa melhorar suas possibilidades de lidar com bifurcações futuras. Afinal, infelizmente não podemos prever sempre que tipos de capacidades e habilidades iremos precisar para enfrentar rupturas futuras. Existem pessoas que ultrapassam e continuam a saltar por sobre os altos riscos e vulnerabilidades que enfrentam, que nunca deixam de ter esperança, que se agarram a seus ideais, adquirindo uma filosofia de vida ou uma perspectiva religiosa e que conseguem se desenvolver como seres resilientes.
Fé na vida dá força e suporte para viver a vida com significado, para agarrar-se aos próprios sonhos. Essas são as marcas de pessoas resilientes. Enfim, foi essa a mensagem que procurei deixar e que quis compartilhar em meu blog...

Lilian Loureiro

11 de maio de 2009

Conflitos, será que são tão ruins assim...

INTRODUÇÃO

Quando comecei a escrever esta reflexão, muitos aspectos conflitivos do tema, por mais paradoxo que isso seja, bombardearam minha mente. Eis o que acontece quando o conflito é invocado...

Num primeiro momento, fiquei confusa, não sabia para qual direção ir. Cheguei até em pensar em desistir, por ser complicado demais...

Diversas dimensões do tema foram se apresentando, de forma misturada e bastante confusa. Passada a angustia inicial, permiti que o caos se instalasse. Dei vazão ao surto de idéias e aceitei que as diversas dimensões da questão se apresentassem... Como sempre brinco, parafraseando Elizabeth Gilbert, convidei as várias facetas do tema para tomar um café.

E foi muito bom, proveitoso. Rendeu muito mais do que imaginava. Se ficasse presa na idéia original, iria perder sacadas importantes sobre o conflito em si, como tema. A principal sacada foi exatamente o que acabei fazendo: às vezes a única saída possível diante de um conflito é assumi-lo, dar vazão, pois só assim a solução se apresenta. Os meios, nesse caso, justificaram o fim. E, agora que "a coisa" já está mais clara, ordenada, cheguei à conclusão de que a melhor forma de refletir sobre o tema é dividindo-o por partes. Na primeira parte, abordarei os aspectos interpessoais do conflito, quando ele ocorre entre diferentes indivíduos, com diferentes pontos de vista. Na segunda parte, discorrerei sobre a dimensão intrapsíquica do conflito, como o que aconteceu comigo, quando tive a idéia de escrever dessa reflexão.

Parte 1 - Conflito Interpessoal

É fato, em qualquer fase de qualquer relacionamento, seja ele de amizade, casamento, namoro, com os pais: conflitos são inevitáveis. Infalivelmente haverá momentos em que pontos de vistas, opiniões, escolhas serão divergentes e daí, o conflito será o desfecho certo.

Sempre digo aos meus pacientes, que temem discussão e conflito, para não temerem e sim enfrentarem. Afinal, é um engano muito comum associarmos discussão e conflito com briga e desentendimento. De fato, uma discussão, dependendo da forma como é conduzida pode virar uma briga feia e o conflito, em desentendimento. No entanto, isso não é uma equação fechada e pré-determinada, esse fim é uma das possibilidades, mas não a única. A chance disto acontecer será maior, quanto mais inflexível estivermos, firmes em nossa opinião, não dispostos a ouvir, ao menos, (entender e aceitar é outra história) a opinião do outro. Assim como a moeda que tem os dois lados, cara e coroa, situações de conflitos também têm.

Num dos lados, está o dono da razão e do outro, o que acha que não vale à pena discutir. Casamento perfeito, eu diria, caso permanecesse sempre assim... No entanto, o feliz para sempre nunca dura para sempre, em alguns casos... Por exemplo, quando o lado que acha que não vale a pena discutir acorda do sono profundo da acomodação e começa a questionar, o laço da união perfeita começa a se desfazer, e daí o conflito inevitável se instala.

Em casos como esse, o dono da razão fica perplexo, enlouquecido, enfurecido, culpando quem estiver na sua frente o infeliz destino. Pensado nesse lado da moeda, me parece que o que está por trás dessa dificuldade em ouvir o que o outro tem para nos falar, é receio de perder. E quando um precisa perder para o outro ganhar, há disputa pelo poder. É como se, com a manifestação do outro, nosso ponto de vista passasse a ser relativo e menos importante. Isso acontece quando colocamos na “nossa verdade”, todo nosso poder, em uma única idéia. É como se uma dada visão justificasse e ancorasse nosso ser. Daí, quando alguém rebate isso, é como se o chão no qual nosso eu está ancorado se desfizesse. Portanto, o comportamento esperado é brigar com unhas e dentes, não aceitando nada além da nossa absoluta verdade.

Rubem Alves, autor que tanto gosto e admiro tem uma crônica fantástica a esse respeito e que ilustra muito bem o que quero dizer: Tênis X Frescobol. Nesta crônica, Rubem apresenta metaforicamente dois tipos de relação baseados nesses jogos. Diferencia os jogos pela necessidade de um lado vencer, ganhar em detrimento e à custa do outro. Segundo ele, esse é o jogo de tênis, no qual um jogador ganha, se o outro falhar e perder. Há a intenção de levar o outro a falha, pois só assim a vitória estará garantida.

No caso do frescobol é outra história. Quanto mais tempo a bola, que no caso, Rubem associa às idéias, questões, temas, ficar em jogo entre ir e vir, maior será a satisfação dos jogadores e, consequentemente, a sensação de vitória em ambos estará presente. Se um jogador erra, o outro tentará retomar o jogo para manter o ir e vir. Esse é o lado saudável da relação: entre ires e vires ambos os lados são contemplados e, se um desvia, o outro o ajuda a entrar no jogo novamente, no qual, ambos ganham. Para mim, o frescobol ilustra uma forma muito dinâmica e saudável de pensar em como administrar os conflitos, aceitando suas polaridades e não entrando na oposição inerente a elas.

Parte 2 - Conflito Intrapsiquico

O modelo de jogo, proposto pelo Tênis nos permitir ampliar a reflexão e entrar na dimensão intrapsíquica do conflito. Diante da necessidade de só ganhar, temos que olhar e ver se está tudo nos conformes, não no outro, mas em nós mesmos!

Como lidar com a possibilidade de estarmos errados com nossa visão unilateral é inconcebível, portanto, no caso de uma discussão, o melhor é nem ouvir mesmo...

Diante disso, o caminho que muitas vezes se apresenta como o mais fácil, na visão de alguns, é o de fazer de conta que nada acontece. Esse caminho é ilusório, pois alimenta justamente a falsa ilusão de que está tudo nos conforme e que os problemas são os outros... E, sinceramente, para mim esse é o pior tipo de evitação de conflito: o conflito que não está fora, na nossa relação com as outros, mas o que está dentro!

Uma atitude como essa reflete justamente a evitação da verdade absoluta, mas não a nossa, que lutamos com unhas e dentes para mantê-la imaculada, mas a verdade da vida: muitas vezes, para ganhar é preciso perder! No jogo de frescobol para ser prazeroso para ambas as partes, é nosso egoismo que precisa perder! Se o jogo durou horas não é porque somos feras, "os bons", é porque a dupla deu certo. Sozinho, não dá para jogar. Esse jogo tem outro nome, chama-se squash.

Precisamos olhar para nosso narcisismo inerente do humano. Mas quando a situaçã está cômoda e confortável, porque o faríamos? Muitas vezes é somente quando uma discussão ocoorre e quando o calado retoma a voz e começa a questionar, que o inevitável acontece. Somos forçados a sair do ninho cômodo, abandonar nossa visão de donos da verdade e aceitar nossa visão parcial.

Desta forma, uma reflexão acaba sendo inevitável, seja gostando disso ou não. O que será que está acontecendo? Num primeiro momento é comum culpar o outro, alegando que algo está errado com ele, afinal que atitude é essa que nunca vi? Muitos permanecem aí, enganando a si mesmos, pois não aceitam o prório conflito: Será que estou certo mesmo? Será que a opinião do outro também não tem um pouco de verdade?

Tal reflexão, representa a oportunidade de assumir o conflito mais doloroso, que é o interno.

E, justamente quando isso acontece é que temos possibilidade de refletir porque calcamos nosso chão em uma visão tão restrita da realidade. E daí, tal como vivenciei quando comecei a escrever essa reflexão, uma enxurrada de informação poderá bombardear nossa mente. Ao ouvir a opinião do outro e aceitar a bola que ele manda, sem o medo que isso represente que ele queira ganhar sobre nós, podemos abrir portas e janelas em nossa mente, tendo a oportunidades de pensar em coisas, que outra maneira, não seriam possíveis. É enxergar possibilidades onde antes existia falsas certezas.

Se conseguirmos suportar a angustia e não cairmos na tentação de culpar os outros pelo infeliz destino que conflito externo apresentou, teremos uma oportunidade maravilhosa de amadurecermos, ao termos uma visão mais real e ampla da situação. Pois, o mais doído dessa história toda é aceitar que nosso umbigo é apenas uma parte e não o centro como imaginávamos.

E aí é que iremos perceber o quanto os conflitos são importantes e servem a propósito maior: propiciar maneiras de nos conhecermos...

Lilian Loureiro

21 de abril de 2009

Um discurso inspirador...

Quem ainda não viu, vale a pena reservar 15 minutos e assistir a um vídeo realmente inspirador!

O vídeo indicado conta brevemente um pouco da história de um dos homens mais poderosos da atualidade. Contudo, vale enfatizar que o mais legal desse vídeo é que, apesar da influência e referência desse homem, o vídeo mostra sua dimensão humana, repleta de limitações, dificuldades e intempéries que a vida impõe e, o mais importante, como, em detrimento disso, esse homem conseguiu superar, crescer e se tornar quem é hoje! Para mim, é um exemplo de resiliência fantástico.

O vídeo em questão, refere-se ao discurso de Steve Jobs como paraninfo da turma de 2005 da Universidade de Standford. Para quem não o conhece, ele é o criador da Apple, empresa criadora do Ipods e Iphone. Seu discurso é maravilhoso, no qual relata as adversidades que passou, desde ser rejeitado, depois acolhido, ter abandonado os estudos para estudar o que mais lhe interessada. Montar sua empresa, para depois ser demitido dela, descobrir diagnóstico de câncer, e continuar crente em sua vida.

Para aqueles que já assistiram, vale a pena ver de novo...

Segue o link:

https://www.youtube.com/watch?v=45xrq0wpqv4

Lilian Loureiro

8 de abril de 2009

Bullying - Falando sobre preconceito...

Semana passada fui convidada para participar mais uma vez do programa Análise Crítica da RIT TV. O tema, na ocasião foi Bullying. Lembrei-me de um trabalho apresentado por colegas no mestrado, em uma disciplina sobre desenvolvimento humano. Tentei entrar em contato para levantar o material, mas o tempo que dispunha não foi suficiente.

Precisei arregaçar as mangas e partir para o “famoso levantamento bibliográfico”. Quem algum dia já teve experiência com pesquisa, sabe do que estou falando... Mas, desta vez não foi um trabalho maçante, foi até que gostoso. Encontrei materiais dos mais diversos, desde apresentações de aula, campanhas de escola contra a prática do bullying, até artigos científicos de revistas conceituadas.

Mas afinal, o que é bullying? Bullying é o termo adotado para designar um tipo particular de violência, que é a intimidação. A palavra deriva do verbo em inglês bully que significa intimidar, mas que não recebe tradução. Esse termo foi adotado na década de 70 na Noruega e rapidamente foi adotado por outros países também. No Brasil o estudo desse tipo de violência, com esse nome, é mais recente. A partir da década de 80 que o tema começou a ser estudado.

No bullying a relação é a três: agressor, vítima e platéia. Para haver bullying, essa equação precisa estar presente. As características deste tipo particular de violência são: relação desigual de poder, repetição intencional de atitudes violentas, seja físicas, psíquicas ou emocionais, na qual a vitima não tem condições de se defender. Geralmente a vítima possue determinada característica que a faz alvo da agressão. Estudos mostram que estrangeiros, alunos obesos, com baixa estatura, homossexuais são alvos recorrentes.

O que me chamou a atenção é que a maior parte do material que encontrei, principalmente os educativos, vê o bullying como algo que precisa ser combatido, eliminado, sendo que o grande vilão da historia é o agressor. Apenas um artigo cientifico problematizou a questão mais a fundo.

O que procurei acrescentar na entrevista é o aspecto sintomático do bullying. Se ele está ocorrendo, é porque algo está acontecendo que precisa ser olhado e entendido. Fiz um paralelo com a febre. Quando estamos com febre é porque nosso organismo está reagindo a algo. Não adianta nada simplesmente tomar um antitérmico e não investigar o que está causando a febre. Na qualidade de sintoma ela pode vista apenas como um fim a ser eliminado. Mas, sua manifestação não deve ser apenas eliminada, ela está ali para mostrar que alguma inflamação está ocorrendo, infecção, enfim. O bullying deve ser visto e entendido da mesma forma. Simplesmente punir o agressor ou proteger a vítima não irá resolver o problema. Pode ter efeito a curto prazo, como um antitérmico que afasta a febre por um momento. Mas, se não investigarmos o que está por trás e darmos a devida atenção, o quadro pode piorar e muito.

O agressor, muitos vezes é ou já foi vítima de alguma situação e/ou agressão em outro contexto. Crianças e jovens que usam da agressão e do abuso de poder, conscientemente ou não, estão mostrando que precisam ser vistos, olhados. E a agressão pode ser a única maneira de conseguirem isso. Se os colocarmos como algoz talvez não consigam manifestar o que estão tentando.

O mesmo ocorre com a vítima. Às vezes pode-se ter uma atitude super protetora não permitindo que ela encontre em si recursos para enfrentar a situação. Desta forma, ficará sempre presa ao padrão de vítima indefesa. Outras vezes, pode-se fazer de conta que nada acontece. Mesmo que a criança ou jovem manifeste medo, por exemplo, de ir para a escola, que volte para casa com coisas faltando, roupa e material rasgado, é como se nada tivesse acontecendo. Ou às vezes, pode-se até brigar pela falta de zelo com o material e falta de interesse em estudar. Para a vítima, que se sente acuada, sem recursos para enfrentar a situação e, na maioria das vezes, muito envergonhada por conta disso, não ser olhada e acolhida, o mesmo efeito da super proteção é produzido: cristalização desse padrão.
E, não é raro, que mais tarde, quando a vítima se percebe um pouco melhor, acabe compensado anos de solidão e desprezo, fazendo com os outros o que sofria calada e aí, a vítima se torna o novo agressor.

Portanto, no bullying vemos os dois lados da mesma moeda: o não ser olhado e entendido em sua singularidade.

Na reportagem que participei, passaram uma matéria excelente de uma escola que encontrou a maneira mais saudável de cuidar do tema: ao invés de apenas punir e proteger, de dar o antitérmico, percebeu que algo estava acontecendo e acolheu e incorporou o tema bullying nas aulas como algo a ser estudado e debatido. Criando-se desta forma, um espaço onde as vítimas tiveram sua voz e os agressores o seu espaço de serem olhados de uma forma mais realista.
Adorei participar desta entrevista, contribuir para o tema. Assim como adorei perceber que, apesar de fazer parte de uma minoria, a escola da matéria encontrou uma saída criativa para lidar com o problema, que não o convencional cortar o mal pela raiz. E por isso, resolvi compartilhar essa experiência.
Lilian Loureiro

Ter ou não ter um blog, eis a questão...

Há algum tempo tenho pensado em publicar um blog e assim compartilhar reflexões, discutir alguns temas. No entanto, sempre resisti.

Não tenho clareza do porque dessa resistência. Por um lado não sou muito adepta à exposição, o que seria uma justificativa perfeita. Contudo, tive uma experiência sensacional em compartilhar ideias via internet.

Durante meu aprimoramento clínico, tive a experiência de publicar artigos no Vya Estelar, uma revista eletrônica da UOL. Foi uma experiência sensacional.

Naquela ocasião, o trabalho era em grupo. Os artigos eram produzidos em co-autoria. A visibilidade foi grande, tanto é que a partir de uma publicação, recebemos um convite de uma editora que adorou um dos artigos e nos convidou para escrevermos um livro. De fato escrevemos!

A coluna no Vya Estelar foi uma experiência ótima, excelente enquanto durou. Mas, toda burocracia em termos de prazos, linguagem, cansava um pouco. De forma que optamos por ficar com os louros da relação e em finalizá-la antes que começasse a deteriorar. Foi um choque para muitos, afinal, como perder uma oportunidade como essa?

Essa é a beleza da escolha: assumir as consequências. Ao optarmos por finalizar nossa coluna, um ciclo se encerrou e outras oportunidades surgiram. E é assim que a vida caminha: precisamos estar sempre alertas aos sinais de partir em retirada, assim como de empreender novas jornadas.

Diante da lembrança dessa feliz experiência, refleti: porque não voltar a escrever e publicar na internet? Não mais num site de grande visibilidade, até porque a proposta não é esta, mas ter um espaço onde as ideais possam concretizar-se em palavras, palavras em frases e frases em textos.

E eis a vantagem de um blog: não tem prazo, você escreve quando quer! Pode ter épocas em que suas reflexões estarão a mil, de forma que seu blog será alimentado com muita frequência. Mas, quando o período de vacas magras fizer-se presente, no problems. Como não existe o comprometimento de, por exemplo, quinzenalmente publicar um artigo, você pode ser fiel ao seu processo criativo e acatar o momento de reclusão.

Paralela a essa sacada, tive a oportunidade de conhecer blogs de colegas, seus textos, reflexões, sugestões e isso foi me cativando cada vez mais. Por fim, decidi ter sim meu blog.

Nele pretendo compartilhar reflexões sobre psicologia, autoconhecimento (processo de individuação), relacionamentos, qualidade de vida, hipermodernidade, enfim sobre meus temas prediletos de estudo e reflexão!

Lilian Loureiro