Um ano após o último post e as motivações, inspiração e tempo permitiram que voltasse a escrever em meu blog.
Aos poucos a vida profissional esta voltando ao normal e o espaço e tempo dedicados ao blog ganhando espaço outra vez.
A maternidade provoca alterações profundas na vida da mulher. Alem das transformações corporais e psicológicas decorrentes da aquisição do novo papel, outra que traz um impacto gigantesco é a administração do tempo. Quanto menor é o bebê maior é a sensação que temos de que o relógio rouba horas e o dia deixa de ter 24hs. É impressionante, o dia não rende! Não dá para fazer quase nada, a não ser cuidar do bebê, mesmo que se tenha ajuda para isso. E, sinceramente, considero isso super importante e decidi vivenciar esse período integralmente e intensamente. Momento esse, crucial para a formação do vínculo mãe - bebê e para construção na nova identidade: a de mãe.
Mas, conforme eles vão crescendo e se tornando mais independentes, nós nos tornamos também. A nova identidade vai sendo consolidada e aos poucos vamos resgatando as demais personas que perderam a forma durante esse processo e retomando as atividades que foram ficando para depois.
Nove de fato e um número simbólico que remete a finalização de ciclos. Não é a toa que a gestação tem 9 meses. E eis que 9 meses depois do nascimento do meu bebê minhas outras atividades profissionais (sim, porque o consultório retomei 3 meses após) como escrever no blog, participar de grupos de estudos, escrever artigos e dar entrevistas começam a acontecer.
Espero que minha experiência pessoal venha a enriquecer as reflexões que irei postar a partir de hoje. Até logo mais...
2 de março de 2011
1 de março de 2010
Tenho um novo amor! - Entrevista
Dia 24 de fevereiro, como havia comentado, participei do programa Show +, da Rede TV+, debatendo o tema: Tenho um novo amor!
Gostei muito da experiência. Primeira vez que participo de um programa tão longo (1h30) e com outros colegas. Estávamos em 3: eu, psicóloga, Andrea Nakano, ginecologista sexóloga e Angela Berekedjian.
A participação dos telespectadores foi intensa e a troca muito enriquecedora.
Para quem não assistiu, mas gostaria, aí vai o link:
http://www.redetvmais.com.br/showmais/index.asp?dia=24&mes=2&ano=2010
Lilian Loureiro
22 de fevereiro de 2010
Nova entrevista: Programa Show +
Quarta-feria, dia 24/02/10, particparei de uma nova entrevista.
Desta vez será na Rede TV +, canal 14 da NET ou 8 da TVA. Não sei se passa na tv aberta.
O nome do programa que participarei é Show +, programa diário de entrevistas conduzido por Darcio Arruda, no qual participam 3 profissionais de diferentes áreas para debater diferentes temas. Acontece todos os dias das 19h30 às 21hs. Não conhecia, mas parece ser bastante interessante.
O tema da vez será "Tenho um novo amor", terceiro programa da série sobre relacionamentos amorosos.
Vamos ver como será essa experiência. Quem sabe ainda nessa semana conto como foi...
Desta vez será na Rede TV +, canal 14 da NET ou 8 da TVA. Não sei se passa na tv aberta.
O nome do programa que participarei é Show +, programa diário de entrevistas conduzido por Darcio Arruda, no qual participam 3 profissionais de diferentes áreas para debater diferentes temas. Acontece todos os dias das 19h30 às 21hs. Não conhecia, mas parece ser bastante interessante.
O tema da vez será "Tenho um novo amor", terceiro programa da série sobre relacionamentos amorosos.
Vamos ver como será essa experiência. Quem sabe ainda nessa semana conto como foi...
Lilian Loureiro
17 de fevereiro de 2010
Imperfeição
Mais uma idéia de Rubem Alves que amei e compartilho. Trata de um assunto que trabalho muito com meus pacientes: sempre precisamos dar vazão e acolher o nosso lado "monstrengo". Por mais desagradável que isso seja, faz parte da nossa natureza termos lado sombrio. Quanto mais negamos esse lado, no intuito se sermos perfeitos, mais autonomia ele passa a ter sobre nos, aparecendo nos momentos menos oportunidos, com consequências catastróficas na maioria das vezes.
Conselho a Nelson Freire
(Ostra feliz não faz pérola - p. 26)
"Caro Nelson Freire: ao terminar de ouvir os dois concertos de Brahms interpretados por você, lembrei-me de um incidente que poderá lhe ser de grande valia. Bernard Shaw foi ouvir Jascha Heifetz. Chegando em casa, depois do concerto, escreveu-lhe uma carta imediatamente. O conteúdo era mais ou menos assim: "Prezado senhor Jascha Heifetz. Ouvi-o no concerto desta noite. Voltei para a casa profundamente preocupado. Porque tocando do jeito que o senhor toca é impossível que os Deus não se roam de ciúme - porque é certo que eles não conseguem tocar como o senhor. Eles sentirão inveja. E deuses invejosos são perigosos. Assim dou-lhe um conselho. De noite, antes de dormir, não faça suas orações costumeiras. Pegue seu violino e toque desafinado. Os deuses, ao ouví-lo, se sentirão aliviados na sua inveja e deixarão o senhor em paz. Atenciosamente, George Bernard Shaw". Nelson, faço meu o conselho de Shaw. Sozinho, de noite, em vez de rezar, toque mal, esbarre algumas notas, erre... Nenhum crítico o estará ouvindo. Mas os deuses estarão. E eles dormirão em paz e você dormirá em paz. Conselho de seu conterrâneo Rubem Alves." (Rubem Alves - Ostra feliz não faz pérola)
É mais saudável termos a consciência de que podemos e devemos desafinar, do corrermos o risco de nos expormos a ira dos deuses. Essa crônica ilustra metaforicamente nossa estrutura psiquica. Dentro de nós habitam deuses poderosos, que não aceitam pretenção de perfeição do ego. Eles são perfeitos, o ego não. Portanto, o ego deve reconhecer humildimente sua natureza humana e não desafiá-los, pois poderá não dar conta da punição. Fazemos isso ao reconhecer nosso lado monstrengo, quando sozinhos, no silêncio da noite assumimos que erramos, que não fomos totalmente honestos, entre tantos outros exemplos. Desta forma, tanto os deuses como o ego dormirão em paz, pois o ego estará integrando conscimente o lado "monstrengo".
Lilian Loureiro
10 de fevereiro de 2010
Voltei!!!
Caraca, quanto tempo que não escrevo...
Estava com saudades do meu blog, mas faltava inspiração. De setembro de 2009 pra cá muitas coisas maravilhosas aconteceram em minha vida e meu foco acabou sendo outro.
Como mencionei no meu primeiro post, fui fiel ao meu processo e não forcei. Mas hoje, lendo Rubem Alves a inspiração voltou. Compartilho um crônica dele, reflete maravillhosamente a emoção do retorno:
Inspiração
(Ostra feliz não faz pérola - p. 19)
"O livro do Eclesiastes adverte: "Um último aviso: escrever livros e mais livros não tem limite. E o muito estudo é enfado da carne..." Não obedeci. Escrevi muitos livros. É o jeito que tenho de brincar. Livros são brinquedos para o pensamento. De todos os que escrevi, acho que o que mais amo é A menina e o pássaro encantado. Escrevi para transformar uma dor em beleza. Eu ia me ausentar do Brasil por um período longo e a minha filha de quatro anos, a Raquel, estava inconsolável. As crianças têm uma sensibilidade especial. Sabem que toda ausência passageira é metáfora de uma ausência definitiva. Ela sofria e eu sofria com o sofrimento dela. Aí, de repente, veio a inspiração. Inspiração é quando a gente não sabe de onde a idéia vem. Na ciência é o contrário: é preciso explicar o caminho que se tomou para chegar à idéia. É esse caminho que tem o nome de método. Seguindo no mesmo caminho, qualquer outro cientista poderá chegar à mesma idéia. Na literatura é o contrário: o escritor não sabe de onde as idéias vêm. Portanto não se pode ensinar o caminho. Veja como Fernando Pessoa escreveu essa experiência: "Às vezes tenho idéias felizes, idéias subtamente felizes. Depois de escrever, leio... Por que escrevi isso? Onde fui buscar isso? De onde me veio isso? Isto é melhor do que eu...". A ciência é a caça de um pássaro definido de antemão que, depois de apanhado, será preso numa gaiola de palavras. Mas, a inspiração não é uma caça. A inspiração chega em momentos raros de distração. Picasso explicou o seu método: "Eu não procuro. Eu encontro...". Ou seja, a inspiração não tem método: o pássaro pousa no nosso ombro, sem que tivéssemos procurado e apenas nos espantamos de que ele seja assim tão bonito... Foi assim que me apareceu a a estória A menina e o pássaro encantado. Nela, uma menina não suportava a saudade, para impedir que seu pássaro voasse tratou de prendê-lo numa gaiola. Resultado: o pássaro encantado deixou de se encantado; perdeu as cores e esqueceu o canto. O pássaro só é encantado quando é livre. O sentido original da estória era claro: era uma estória para minha filha e para mim cujo objetivo era transformar dor em beleza. Mas aí aconteceu o inesperado: depois de publicado, os leitores passaram a ver sentidos novos que eu não havia visto: o livro começou a ser usado por terapeutas para lidar com casais em que cada um tentava engaiolar o outro. E estavam certos. Foi então que um amigo me disse: "Que linda estória você escreveu sobre Deus..." Ao que ele me disse: "Pois eu pensei que o pássaro encantado era Deus, que as religiões aprisionam em gaiolas...". Pode também ser... É impossível engaiolar o sentido. " (Rubem Alves - Ostra feliz não faz pérola)
Lilian Loureiro
24 de setembro de 2009
Wedding Coaching
Nossa, faz tempo que não escrevo..., mas, como mencionei no meu primeiro post, o processo criativo é assim mesmo e é importante respeitá-lo.
O assunto de hoje é bastante novo para mim e confesso que ainda está em fase gestacional, mas assim como na terapia temos um espaço para falar sobre nossas emoções e pensamentos para que sejam arejados e, quando nos escutarmos termos uma perspectiva diferente; vejo no blog um espaço análogo: no qual minhas idéias em incubação podem receber um pouco ar e mais concretude.
Bom, em minha apresentação menciono que sou especialista em questões amorosas, que escrevi em co-autoria um livro sobre o assunto enfim, chegou um momento de dividir um pouco desta minha experiência nesse espaço.
O tema em questão refere-se a "Wedding Coaching", termo que surgiu inocentemente numa conversa com amigos e, que particularmente gostei e resolvi adotar. O que ele quer dizer afinal?
Quem já casou e vivenciou os preparativos do casamento, seja com a festa (que pode ser da mais simples, a mais elaborada), com o montar a casa (entrega do imóvel, reformas, lidar com pedreiros, entrega de móveis...), entende como esse momento é tão delicioso e maravilhoso, assim como é detonador de muitas crises, discussões e desentendimentos também.
O assunto de hoje é bastante novo para mim e confesso que ainda está em fase gestacional, mas assim como na terapia temos um espaço para falar sobre nossas emoções e pensamentos para que sejam arejados e, quando nos escutarmos termos uma perspectiva diferente; vejo no blog um espaço análogo: no qual minhas idéias em incubação podem receber um pouco ar e mais concretude.
Bom, em minha apresentação menciono que sou especialista em questões amorosas, que escrevi em co-autoria um livro sobre o assunto enfim, chegou um momento de dividir um pouco desta minha experiência nesse espaço.
O tema em questão refere-se a "Wedding Coaching", termo que surgiu inocentemente numa conversa com amigos e, que particularmente gostei e resolvi adotar. O que ele quer dizer afinal?
Quem já casou e vivenciou os preparativos do casamento, seja com a festa (que pode ser da mais simples, a mais elaborada), com o montar a casa (entrega do imóvel, reformas, lidar com pedreiros, entrega de móveis...), entende como esse momento é tão delicioso e maravilhoso, assim como é detonador de muitas crises, discussões e desentendimentos também.
Foi pensando nisso que Wedding Coaching começou a ser gestado. Tendo vivenciado tudo isso e acompanhado pessoas próximas que estavam passando por esse processo, comecei a pensar e a começar desenvolver uma metodologia para assessorar casais nessa fase tão maravilhosa, ao mesmo tempo que tensa. E é justamente essa reflexão e metodologia, que venho desenvolvendo e aprimorando, que nomeei de "Wedding Coaching".
Sem ter a pretensão comecei a acompanhar, acolher e orientar pessoas próximas e queridas que estavam experienciando o processo do casar-se, deparando-se com problemas como: qual Buffet contratar, cor da decoração, quem vai ficar responsável por o quê, e todas as discussões que os acompanham... Daí então pensei: poxa, se tenho facilidade em acolher, orientar, problematizar escolhas (que nada mais é do característica da minha profissão), porquê fazer isso apenas com pessoas próximas? Por que não estender isso como uma área de atuação em meu trabalho? Como sempre repito, a visão da psicologia analítica é prospectiva: em tudo há um para quê, uma finalidade. Portanto, resolvi retomar as origens de minha formação e acolher esse chamado: trabalhar com esse tipo de orientação.
Tenho percebido que a maneira como o casal administra as crises e conflitos característicos da fase dos preparativos, pode ser um fator importante sobre a vida do casal de forma geral. Se o casal consegue administrá-las de forma consciente e adulta, reconhecendo e legitimando a alteridade, a fase seguinte, "recém-casados", que também tem suas crises e conflitos característicos, pode ser encarada de forma mais leve, uma vez que recursos de como enfrentá-los, já terão sido internalizados. Assim como as que virão a seguir.
Como é uma proposta nova, pelo menos para mim (apesar de que fiz uma busca no Google com esse termo e não encontrei nada aqui no Brasil, tão direto e específico assim) fiquei relutante em assumí-la, mas acho que o momento chegou e por isso optei por postar em meu blog, para que assim este projeto possa nascer e ganhar vida própria, sendo um recurso que pode ser visitado e conhecido por um público maior e não tão restrito. Enfim, acho que o Wedding Coaching está entrando em trabalho de parto, prestes a nascer e esse post, representa a primeira contração...
Lilian Loureiro
Assinar:
Comentários (Atom)