22 de janeiro de 2015

Querer não é poder

Bom dia! Primeiro post do ano com um tema recorrente e pertinente ao início de um novo ano: quero, mas não posso ou não consigo. Atire a primeira pedra que nunca passou por isso...

2015 começou e com certeza algumas coisas não estão ocorrendo conforme o planejado... pode ser o vestibular que não passou; a promoção que não veio; o aumento de impostos que ninguém estava esperando, enfim, os exemplos são inúmeros.

Quantas coisas sonhamos, idealizamos, corremos atrás que, ou não acontecem ou quando acontecem, não é no tempo que queremos.

Fazer nossa parte, mesmo da melhor maneira possível não é garantia para coisa alguma. É simplesmente nossa parte que foi bem feita! Claro que nossas chances de bom resultado aumentam, mas... não há 100% de garantia. É doloroso constatar isso, já que é muito difícil para o ego vislumbrar sua limitação perante um todo muito maior que seu desejo e vontade. Reclamamos, lamentamos, esperneamos tanto... A tensão emocional da frustração pode até ser aliviada dessa forma, mas nenhum resultado diferente acontece com isso.

Quantas pessoas atendi, quantos momentos pessoais vivencie, em que tudo que estava ao alcance não foi apenas feito, mas "bem feito" e no final o resultado não foi o esperado. Que raiva, quanta frustração... Pode acontecer do impacto para o ego ser tão intenso, que pessoas chegam a adoecer. Atendi alguns casos de Crise de Pânico que tinha como base exatamente isso.

Ficar na posição do "ego esperneante", tal qual uma criança pequena com ataques de birra porque não conseguiu o que queria, não levará a lugar algum! Entraremos em um ciclo vicioso, a frustração será retroalimentada  e o adoecimento psíquico e físico poderão até se intensificar.

Se não aconteceu, algum aprendizado intrínseco tem, por mais doloroso que seja admitir isso. Como menciono sempre em meus posts: a visão da psicologia analítica é prospectiva: em tudo há uma finalidade maior. Ficar preso na frustração do "não aconteceu como eu queria", mina todo o potencial de aprendizado e possibilidade de novos olhares e perspectivas sobre o acontecido.

Num post antigo de 21 de abril de 2009 (Um discurso inspirador - http://lilianloureiro.blogspot.com.br/2009/04/um-discurso-inspirador.html) compartilhei o discurso de Steve Jobs como paraninfo de uma turma. O discurso é belíssimo, vale a pena assistir. Uma das partes que mais gosto e que diz respeito ao tema abordado aqui e a história dos pontos. Remete àquela brincadeira de criança de ligar os pontos para visualizar uma imagem ao final. Na vida fazemos isso o tempo todo: ligamos os pontos do que vivenciamos e assim temos uma visão mais ampla da relevância que certos acontecimentos tiveram em nossas vidas para nos tornarmos quem somos hoje.

Jobs enfatiza o passado, só podemos ligar os pontos do que já passou, não dá para ligar o que ainda vai acontecer. O que está por vir não é ponto ainda para ser ligado.

Desta forma, querer não é poder, por mais que o ego queira tanto isso. Frustrações fazem parte do processo de individuação de cada um. E a depender da forma como lidamos com ela, teremos a oportunidade de aprendizado e crescimento enormes. Elas podem nos impulsionar, nos tirar da zona de conforto e denunciar que mudanças precisam ser feitas! A promoção pode não ter vindo porque a fluência no inglês ainda não está tão boa; espernear não levará a lugar algum... Bora se matricular em um bom curso de inglês...

Sempre temos que fazer nossa parte, da melhor maneira possível. Tendo consciência de que é APENAS a nossa parte e não o todo. É como sempre digo para meus clientes e pacientes, temos que garantir nosso 50%, a vida se encarrega do resto...

Abraços,
Lilian Loureiro